Ana Fontes
Fundadora do Instituto Rede Mulher Empreendedora e programa Ela pode
>> História da empreendedora
No seu terceiro ano de faculdade, decidiu arriscar tudo para fazer um estágio na área de marketing da Autolatina, uma parceria entre Volkswagen e Ford. Depois de um ano, ela foi contratada como funcionária. Ana trabalhou depois em agências, mas voltou para trabalhar na equipe de marketing da Volkswagen quando as duas montadoras se separaram, onde trabalhou por mais de 17 anos.
Em meados de 2009, já com a segunda filha em casa, decidiu que precisava deixar o ambiente corporativo. Foi assim que surgiu seu primeiro empreendimento, conhecido como “Elogia aqui”, onde segundo ela “cometi muitos erros, entre eles criar uma sociedade por amizade”. Porém, foi esse primeiro empreendimento que deu o estalo para ela criar o embrião da Rede Mulher Empreendedora.
>> Instituto Rede Mulher Empreendedora

Assim, a iniciativa evoluiu e, em 2014, virou a Rede Mulher Empreendedora (RME), a primeira e uma das maiores plataformas de apoio ao empreendedorismo feminino no país. A RME integra quase 500 mil brasileiras e transformou-se no principal negócio de Ana.
A empreendedora, porém, achava que era necessário ter um braço social e concebeu o Instituto Rede Mulher Empreendedora, que, com ajuda de parceiros, promove uma série de ações auxiliando as mais carentes a conquistar independência financeira e a tomar decisões sobre as próprias vidas.
"A sociedade põe a mulher para baixo, diz que ela não pode isso, não pode aquilo. Nós desconstruímos a interdição. Alimentamos a autoconfiança e a coragem de dar o próximo passo para ter dinheiro e independência"
Ana costuma ensinar às empreendedoras o caminho promissor: “Digo que devem assumir a posição de quem pode fazer as coisas. Que são capazes de ter um negócio de sucesso. Têm competência para encarar a gestão e cuidar das finanças – o grande desafio”. Mas para dar certo, é necessário estar muito bem preparada.
>> Programa Ela Pode
Ana também desenvolveu o programa de capacitação Ela Pode, em parceria com o Google, que entrou com um investimento de 1 milhão de dólares. Segundo ela, o programa procura “desconstruir tudo aquilo que a sociedade disse que a mulher não pode fazer e alimentar sua autoconfiança para que ela consiga perseguir a independência”.
O programa é realizado em quatro dias, as aulas presenciais abordam, entre vários temas, educação financeira e a construção de liderança. Também ensina a falar em público, conduzir uma negociação, construir redes de relacionamento e usar ferramentas digitais.
O Ela Pode abrange o país inteiro, mas tem atenção especial nas regiões Norte e Nordeste. Segundo ela, o foco principal é nas mulheres em situação de vulnerabilidade social e emocional, especialmente em localidades onde elas não têm acesso a serviços desse tipo, onde o poder público não atua. A falta de políticas públicas específicas para a mulher constitui-se como uma violência de estado. E se a mulher não tem apoio para se tornar independente, acaba sendo presa fácil de relacionamentos abusivos e opressores, caem no subemprego, expõe-se muito mais aos riscos urbanos e acaba reproduzindo a miséria, pois, sem recursos, criará filhos com poucos estímulos para crescer.



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